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quinta-feira, 8 de novembro de 2012

ONGs não divulgam convênios na internet

Autor(es): LEANDRO KLEBER

Poucas cumprem a Lei de Acesso à Informação, que obriga a publicação dos contratos com o governo

Personagens frequentes do noticiário, por causa do envolvimento em denúncias de corrupção e de desvio de dinheiro público, as organizações não governamentais (ONGs) que recebem recursos do Orçamento federal não estão cumprindo as exigências da Lei de Acesso à Informação. Às vésperas de completar seis meses em vigor, desde a sua regulamentação, em maio, a lei determina que as entidades privadas sem fins lucrativos sejam mais transparentes. São obrigadas, por exemplo, a divulgar na internet o estatuto social atualizado, a relação nominal dos dirigentes, os relatórios finais de prestação de contas e a cópia integral dos contratos e convênios firmados com órgãos do governo federal.
No entanto, a maioria das ONGs publica, apenas, o estatuto social e a lista com os nomes dos seus membros. É raro encontrar uma entidade que divulgue na internet a íntegra dos convênios firmados com órgãos públicos. As instituições que não cumprem essas exigências podem ser punidas e ficar impedidas de receber recursos no futuro. Apenas este ano, as entidades privadas sem fins lucrativos receberam mais de R$ 1,2 bilhão de ministérios e autarquias. O valor é quase o dobro do montante desembolsado pelo Ministério do Esporte durante todo este ano.
De acordo com a Controladoria-Geral da União (CGU), os ministérios que repassam os recursos são os próprios responsáveis por fiscalizar o cumprimento da lei. O governo não centraliza esse controle, mas, segundo a CGU, esse trabalho será feito mais adiante. "Ainda não foi feito um balanço sobre isso porque o esforço da CGU, até agora, concentrou-se mais em monitorar o cumprimento da lei pela própria administração federal", argumenta a assessoria do órgão.
A regulamentação da Lei de Acesso à Informação determina que a divulgação dos dados na internet só pode ser dispensada mediante uma justificativa da entidade, nos casos em que estas não disponham de meios para dar transparência aos seus atos. Atualmente, existem no Brasil pelo menos 300 mil entidades sem fins lucrativos. Um novo balanço será divulgado em dezembro, por órgãos do governo.
Para a diretora executiva da Associação Brasileira de Organizações Não Governamentais (Abong), Vera Masagão, ainda não há no Brasil uma cultura de transparência consolidada entre as ONGs, principalmente entre as de menor porte. Segundo ela, muitas vezes, não há sequer estrutura de pessoal para prestar essas informações. "As maiores ONGs têm essa cultura de divulgar suas contas, por exemplo. Mas, para as menores, não é fácil", reconheceu. Mas ela defende a transparência total no caso das ONGs que recebem recursos dos contribuintes.
Porém, de acordo com Vera, as informações exigidas na Lei de Acesso à Informação já são prestadas pelas ONGs e estão divulgadas no sistema de convênios do governo federal, o Siconv. "A lei tem de facilitar para não redobrar o nosso trabalho. Essa plataforma, complexa, já é pública. Dá trabalho tanto para os órgãos do governo quanto para as ONGs. Só a Pastoral da Criança, por exemplo, tem quase 300 pessoas apenas para alimentar esse sistema", explicou.
Fonte : Correio Braziliense - 08/11/2012

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