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quinta-feira, 18 de setembro de 2014

Polícia prende 26 traficantes no Complexo do Alemão, no Rio

18/09/2014 18h41
Rio de Janeiro
Da Agência Brasil Edição: Stênio Ribeiro
O secretário de Segurança do Rio, José Mariano Beltrame, anuncia resultados da Operação Urano (Tânia Rêgo/Agência Brasil)
O secretário de Segurança do Rio, José Mariano Beltrame, anuncia resultados da Operação Urano, que prendeu 26 pessoas no Complexo do AlemãoTânia Rêgo/Agência Brasil




A Polícia Civil do Rio de Janeiro prendeu 26 pessoas hoje (18), na Operação Urano. Entre elas, os principais responsáveis pelo tráfico de drogas no Complexo do Alemão, zona norte da cidade. Segundo a polícia, o chefe do tráfico de drogas no morro, Edson Silva de Souza, conhecido como Orelha, foi preso, mas o gerente-geral do comércio de drogas, Igor Cristiano Santos de Freitas, o King, não foi encontrado. O grupo é acusado de ter orquestrado os últimos ataques a policiais militares (PMs), à Unidade de Polícia Pacificadora (UPA) da região e a delegacias. Entre os presos estão quatro menores de idade.

Cerca de 300 policiais de várias equipes especializadas da polícia participaram da operação, e o policiamento continua reforçado na região. Os policiais constataram a presença de menores de idade no tráfico que abastece o Complexo do Alemão. Entre os 46 mandados judiciais, sete foram para apreensão de menores, seis para prisão de mulheres e 33 de homens.

De acordo com o secretário de Segurança Pública do Rio, José Mariano Beltrame, a sociedade exige resposta e ação da polícia. "Eu quero reiterar que as respostas e as ações são racionais, civilizadas e de inteligência policial, e muitas vezes não têm a velocidade que a sociedade quer, mas nós começamos o processo de pacificação e ocupamos exatamente esses lugares sem dar tiro, sem fazer guerra, e vamos continuar desta maneira. Prendendo com inteligência, com parceria do Ministério Público, da Subsecretaria de Inteligência, e a Polícia Civil cumprindo efetivamente o seu papel de polícia judiciária, o seu papel no inquérito policial", contou.

Segundo Beltrame, a polícia do Rio fez mais de 3 mil prisões este ano, batendo o recorde dos últimos 13 anos, mas ainda enfrenta dificuldades. "Dentro do sistema de Segurança Pública, a polícia, com todos os seus defeitos, falhas e história, está cumprindo o seu papel, mas nessa corrente que é a Segurança Pública, existem outras ações que devem ser feitas ou no mínimo discutidas, como a questão da legislação, como a questão da participação do Poder Judiciário e do Ministério Público, sistema prisional, fronteira, política para menor, política para [combater o] crack. Hoje, tivemos menores apreendidos, os quais já eram conhecidos, tivemos um esforço imenso da polícia. Isso tem que ser discutido", ressaltou.

Para o secretário, "o Estado tem que mostrar para essas pessoas que não vale a pena cometer crime, porque a polícia vai seguir fazendo esse papel a vida inteira. Segurança Pública não é sinônimo de polícia, é um sistema que me parece que existe um olhar muito forte para cima das instituições policiais, e a sociedade tem que ver que leis são essas que criam e a sociedade não sabe". Beltrame acrescentou que as operações vão continuar, assim como as ações de combate às milícias e as investigações internas na própria polícia.

O delgado Felipe Cury, da 27ª Delegacia de Polícia, de Vicente de Carvalho, zona norte da capital fluminense, avaliou como positiva a operação na repressão ao tráfico de entorpecentes. "Foi bem sucedida, até por conta das prisões de criminosos de bastante expressão e das dificuldades de operar no Complexo do Alemão", disse.

"Nós prendemos o traficante Orelha, na Fazendinha, em uma de suas casas, que para os padrões da comunidade destoa das outras. Também apreendemos informações e telefones celulares. O Orelha já tinha uma posição de destaque no tráfico de drogas do Complexo do Alemão, e quando o traficante Eduardo Fernandes de Oliveira, o 2D, foi preso, em abril deste ano, ele ascendeu à chefia do tráfico e então ninguém o conhecia. Nós não tínhamos a qualificação dele. Ao longo da investigação conseguimos identificá-lo, mantivemos em sigilo e passamos a monitorá-lo", acrescentou.

O objetivo da investigação era obter informações mais aprofundadas, principalmente acerca do tráfico de drogas na região, e identificar principalmente os responsáveis pela tentativa de desestabilização do processo de pacificação no Complexo do Alemão. Segundo o delegado Cury, a investigação é rica em detalhes, e possibilitou a identificação de pessoas ligadas ao tráfico, que não eram conhecidas da polícia.

Cury disse que com as prisões de hoje, as pessoas ligadas ao tráfico de drogas do Complexo do Alemão já sabem que não passam mais despercebidas da atenção da polícia. "Antes, eles achavam que por não ostentar anotações criminais, por serem menores de idade, poderiam atuar ali livremente, que nada iria acontecer com eles. Na verdade, não é assim que funciona. É um processo, e essa investigação não para nunca. Essa investigação terminou, outras já estão em curso, e essas pessoas já sabem que a polícia está atuando e se continuarem vão acabar presas também".

De acordo com o subsecretário de Inteligência da Secretaria de Estado de Segurança, Fábio Galvão, das 26 prisões, 22 foram de cumprimento de mandados da Operação Urano, duas por outros mandados (tráfico de drogas e outra por roubo) e duas prisões em flagrante.

"Tudo que acontecia de ruim naquela região, a gente pode constatar o envolvimento desta quadrilha, com algumas mortes, inclusive de policiais, e já estamos extraindo as provas necessárias, que foram arrecadadas, e vamos compartilhar com a Delegacia de Homicídios (HD) para ajudar a subsidiar as suas investigações, e também com o Ministério Público. Tivemos ataques à UPA local, a utilização de menores para prática de crimes e até manifestações públicas, o movimento Fora UPP, e o tráfico de drogas, obviamente, está por trás disso. O interesse não é da comunidade local, a população de bem quer a UPP, agora o tráfico não, porque isso influi diretamente nos seus ganhos financeiros", explicou.

A polícia não divulgou se o grupo teve alguma ligação com a morte do ex-comandante da UPP da Nova Brasília, capitão Uanderson Manoel da Silva, de 34 anos, no último dia 11. De acordo com Galvão, a investigação está sendo conduzida pela DH. "A gente não pegou nada específico de autoria de execução, mas pode, sim, indicar que foi desse grupo também. Tivemos a morte, no final de abril deste ano, do soldado Rodrigo Paes Leme. Esse grupo está envolvido. O Orelha e o King estão envolvidos nesse crime", contou.

A investigação também obteve provas para o Ministério Público oferecer denúncia e para o Poder Judiciário decretar a prisão dessas pessoas, já que as efetuadas hoje são preventivas. Os presos já são réus no processo em curso em uma vara criminal do Tribunal de Justiça, não revelada pelo delegado. Os ataques à UPA, a PMs e à própria delegacia do Complexo do Alemão foram motivados e ordenados pelo tráfico de drogas, segundo o promotor de justiça Fábio Miguel.

"Tudo isso passou pela nossa investigação. Com a instalação das forças de segurança no local, o modus operandi mudou. Eles utilizam menores extremamente violentos, há passagens na internet em que eles debocham da morte de policiais militares, há ordens em que determinam que cada menor se posicione no beco e esvazie um pente [dando tiros] e fujam da localidade. Todas as resistências que ocorrem no Complexo do Alemão, são orquestradas pelo tráfico de drogas", ressaltou.

Os criminosos presos hoje vão responder por tráfico de drogas, associação ao tráfico e dano ao patrimônio público. Todas as apreensões no curso dessas investigações estão sendo imputadas a essa organização criminosa. Ninguém atua no Complexo do Alemão, na Fazendinha e na Nova Brasília, que não seja dessa organização criminosa", disse Miguel.
Fonte Agëncia Brasil