13/12/2013 - 20h34
Enviado especial à África do Sul
Pretória – O terceiro dia do velório de Nelson Mandela no Union Buildings, que começou com muita gente chegando bem cedo na fila para não perder a oportunidade de se despedir do ícone da luta contra o apartheid, terminou com uma multidão esperando o caixão deixar o palácio do governo sul-africano.
Algumas centenas de pessoas que esperavam o cortejo fúnebre sair por um dos portões do palácio correram em direção à uma rua paralela, quando ouviram o barulho de sirenes dos carros de polícia e perceberam que haviam sido dribladas pela segurança.
As filas continuaram quilométricas até o final e todos queriam passar ao lado do corpo do ganhador do prêmio Nobel da Paz de 1993 e símbolo da liberdade do país. Ninguém podia tirar fotos no local, nem os fotógrafos credenciados para cobrir o evento.
A última imagem de Mandela, pelo menos até o momento, está guardada na memória das dezenas de milhares de pessoas que superaram o cansaço, o calor e a sede, em alguns casos, para prestar homenagem à contribuição de Mandela para a África do Sul e para o mundo. Coberto por uma tampa de vidro da cintura para cima, o corpo do mais conhecido sul-africano, com seu cabelo branco e aparência serena, está com uma camisa estampada no qual se destaca um verde brilhante, bem ao estilo alegre que costumava se vestir em vida.
A brasileira Isabel Kelmer, que já tinha comprado sua passagem para passear na África do Sul com a filha e a neta antes da morte de Mandela, disse que se sente privilegiada por estar vivendo esse momento histórico. Ela foi uma das que não conteve a emoção.
"Quando vi o caixão, fiquei emocionada e comecei a chorar, um choro de comoção. Os policiais começaram a me dar lenços. Foi muito bonito, ele foi um grande homem", disse, se referindo a vários militares que seguravam caixas de lenços depois que as pessoas passavam pelo caixão, para os mais emocionados enxugarem as lágrimas.
O porta-voz da família de Mandela, Themba Matanzima, disse hoje que Madiba, como era chamado carinhosamente, certamente está em paz por ter recebido o adeus dos sul-africanos que tanto amou, se sacrificou e por quem estava preparado para dedicar sua vida.
Amanhã (14), o corpo será transportado para Qunu, vilarejo onde Mandela nasceu, cresceu e vive seu clã. O enterro ocorrerá no domingo (15), em uma cerimônia restrita a parentes e amigos próximos.
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Edição: Carolina Pimentel
Fonte: Agência Brasil
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