Iolando Lourenço - Repórter da Agência Brasil Edição: Luana Lourenço
O governador do Acre, Tião Viana (PT), negou hoje (12) ter qualquer envolvimento com o desvio de recursos da Petrobras ou que tenha recebido dinheiro ilícito para sua campanha ao governo do estado em 2010.
Hoje, o ministro Luiz Felipe Salomão, do Superior Tribunal de Justiça (STJ), determinou a abertura de inquérito para investigar suspeitas de envolvimento de Viana no esquema de desvios de dinheiro na estatal. Em depoimento de delação premiada, o ex-diretor da Petrobras Paulo Roberto Costa disse que o governador recebeu R$ 300 mil para sua campanha ao governo do estado em 2010 e que o valor foi pago pelo doleiro Alberto Youssef.
“A despeito de citação da minha pessoa com a tal Operação Lava Jato, eis a minha posição: estou muito longe dessa podridão; essa podridão está muito longe de mim”, disse o governador, em nota.
Viana disse que sua campanha ao governo do Acre em 2010 recebeu uma doação “legal” da empresa Iesa, que foi aprovada pelo Tribunal Regional Eleitoral. Segundo ele, a empresa nunca teve qualquer relação comercial ou institucional com o governo.
Tião Viana nega que tenha tido qualquer envolvimento no esquema e contato com “personagens desse submundo em investigação”, de acordo com a nota.
“Os dedos sujos da injúria, da calúnia e da difamação, que apontam para a minha honra, não escondem a covardia daqueles que certamente não terão a dignidade de vir a público pedir desculpas quando tudo for esclarecido”, diz outro trecho.
Viana disse que, quando soube da citação de seu nome por Costa, pediu uma interpelação judicial contra o ex-diretor e determinou o ajuizamento “de ação civil por danos morais e ação penal por denunciação caluniosa”.
O governador informou que autoriza a publicidade de tudo que envolva o seu nome e defendeu as investigações. “Para mim, quanto mais investigação, melhor”.
A nota de Viana foi lida nesta quinta-feira no plenário da Câmara pelo deputado Leo de Brito (PT-AC).
Bruno Bocchini - Repórter da Agência Brasil Edição: Stênio Ribeiro
O município de São Paulo registrou 2.438 casos confirmados de dengue, de 4 de janeiro a 28 de fevereiro. São 1.883 casos autóctones – contraídos no próprio município – e 555 importados. A quantidade é aproximadamente três vezes maior à registrada no mesmo período do ano passado.
Uma morte foi confirmada, em decorrência da doença, e dois óbitos estão sendo investigados. Os dados foram divulgados hoje (12) pela Secretaria Municipal da Saúde, e o secretário adjunto de Saúde, Paulo Puccini, considerou “elevada” a quantidade de casos.
“Vivemos uma situação inusitada, de ocorrência e intensificação da dengue no Brasil, e no estado de São Paulo em particular, que também atingiu de forma forte o município de São Paulo. O município tem muitas particularidades pelas quais a situação da dengue aqui poderia estar muito pior, como a alta movimentação da população”, disse.
Puccini ressaltou que, historicamente, o período mais grave, com maior número de infectados, é nos meses de maio e junho. Segundo ele, a prefeitura não descarta a construção de centros de atendimento temporários, para auxiliar no tratamento dos pacientes, caso haja necessidade nas regiões mais afetadas.
A região norte da cidade continua a concentrar o maior número de infectados no município: 43,5 casos para 100 mil habitantes, seguida da zona sul (12,4 a cada 100 mil). Segundo o secretário, um dos fatores que colabora para o aumento do número de casos da doença é a crise de abastecimento de água, que afeta principalmente a zona norte da capital paulista.
“Eu posso falar que a crise hídrica é responsável por parte do aumento da dengue no município de São Paulo. Recipientes de armazenamento de água, que não eram usados no passado, passaram a existir como criadouros [do Aedes aegypti, o mosquito transmissor do vírus da dengue] de forma muito expressiva. A dengue vem se manifestando sobretudo na zona norte, que é área mais penalizada pela falta de água”, destacou.
Em fevereiro, o uso de baldes e regadores para armazenamento de água – encontrados cheios pelos agentes da prefeitura (2.373 casos) – cresceu 212,7% em comparação a outubro de 2014, segundo levantamento da secretaria. Caixas não ligadas à rede também tiveram alta expressiva de 135,3% (991 casos).
12/03/2015 - 20h27Atualizado em 12/03/2015 - 20h31
Foi encerrada, agora há pouco, a reunião desta quinta-feira da CPI da Petrobras, depois de 10 horas ininterruptas de depoimentos (do presidente da Câmara, Eduardo Cunha, e do ex-presidente da Petrobras, Sérgio Gabrielli). A próxima reunião foi marcada para quinta-feira (19/03) da semana que vem, quando será ouvido o ex-diretor de Serviços da Petrobras Renato Duque, que chegou a ser preso em uma das etapas da Operação Lava-Jato da Polícia Federal. Depois, ele foi solto por decisão de ministro do Supremo Tribunal Federal.
Congresso manteve o veto ao reajuste linear de 6,5% da tabela do IR. Para garantir a votação, governo editou MP que prevê uma correção escalonada.
O veto da presidente Dilma Rousseff à proposta de correção em 6,5% da tabela do Imposto de Renda da Pessoa Física dominou os debates da sessão do Congresso Nacional desta quarta-feira. Mesmo depois de um acerto entre a base governista em torno de uma medida provisória com a correção progressiva da tabela, a oposição não baixou o tom e continuou cobrando a derrubada do veto.
O deputado Nilson Leitão (PSDB-MT) chegou a dizer que, com o reajuste menor, o governo estaria “roubando” o salário do trabalhador. “O governo está brincando com o trabalhador”, disse.
Prevaleceu, no entanto, o acordo pelo reajuste escalonado. O Congresso manteve o veto e vai discutir a MP 670/15, segundo a qual as duas primeiras faixas salariais terão reajuste de 6,5%. Na terceira faixa, o reajuste será de 5,5%; na quarta faixa, será de 5%; e, na última faixa – que contempla os salários mais altos –, de 4,5%.
A oposição aproveitou para criticar a medida. Para o deputado Domingos Sávio (PSDB-MG), a correção progressiva é injusta. “A correção é pela inflação. Não pode haver inflação medida de uma maneira para um e para outro”, criticou.
O senador Ronaldo Caiado (DEM-GO) condenou o fato de a MP só entrar em vigor em abril. “O governo vai assaltar o bolso do brasileiro em janeiro, fevereiro e março”, disse, defendendo a derrubada do veto.
Política econômica
A oposição também aproveitou a discussão da matéria para criticar a política econômica da presidente Dilma e fazer referência a uma pesquisa segundo a qual a popularidade da presidente estaria em 7%. Governistas refutaram a pesquisa.
Houve dissidência também na base. O deputado Esperidião Amin (PP-SC) disse que votaria contra o partido e a favor da derrubada do veto. “Corrigir a tabela em valor menor do que a inflação é aumentar imposto”, disse.
O governo, por outro lado, celebrou o acordo. “O simbolismo do entendimento é a coisa mais importante que conseguimos com essa medida e vamos dar consequência a este ato, mantendo o acordo com todos os líderes do governo, que propõe escalonamento”, defendeu o líder do PT no Senado, Humberto Costa (PT-PE).
O deputado Vicente Cândido (PT-SP) ressaltou que a correção da tabela do Imposto de Renda ficou muito abaixo da inflação durante o governo Fernando Henrique Cardoso, com anos seguidos de reajuste igual a zero.
Já o líder do PT na Câmara, deputado Sibá Machado (AC), mostrou dados favoráveis ao governo. “De 2005 até agora, corrigimos a tabela de Imposto de Renda em 4 pontos percentuais acima da inflação”, disse.
Ele também ressaltou que a classe trabalhadora será beneficiada, ao contrário do que disse a oposição.
Máquinas agrícolas
Além do IR, o governo propôs acordos para evitar a derrubada de outros dois vetos. O líder do governo, deputado José Guimarães (PT-CE), se comprometeu a editar uma nova medida provisória para resolver a questão do licenciamento para máquinas agrícolas.
Depois disso, o Congresso manteve o veto da presidente a dispositivo que isenta tratores e máquinas agrícolas do licenciamento. “Nós acordamos com o setor. Vamos amanhã [quinta-feira] formatar um texto que tem como base essa proposta vetada para, imediatamente, entregarmos ao governo, e será editada MP”, disse Guimarães.
Compra de energia
Com relação ao veto à prorrogação, até 2042, de contratos de grandes empresas petroquímicas e de indústrias de base que compram energia mais barata diretamente das concessionárias, o governo afirmou que as empresas beneficiadas estão negociando diretamente com o Ministério de Minas e Energia. O veto chegou a ser derrubado pelos deputados, mas foi mantido pelos senadores.
O líder do governo no Congresso, senador José Pimentel (PT-CE), disse que esses contratos beneficiam apenas cinco empresas, do Nordeste, que compram energia mais barata da Companhia Hidrelétrica do São Francisco (Chesf). “As negociações entre o Ministério da Fazenda, o Ministério de Minas e Energia e essas empresas estão em estágio adiantado. As empresas são favoráveis à derrubada do veto”, ponderou.
Cristina Indio do Brasil - Repórter da Agência Brasil Edição: Stênio Ribeiro
A SuperVia, concessionária responsável pelos serviços de trens no Rio de Janeiro, distribuirá 100 mil bilhetes amanhã (4), a partir das 6h, aos usuários que sofreram danos com o choque entre dois trens ocorrido na Estação Presidente Juscelino, em Mesquita, na Baixada Fluminense, na noite do dia 5 de janeiro deste ano.
Os tíquetes serão entregues em 15 estações do ramal de Japeri, entre Paracambi, na Baixada Fluminense, e Ricardo de Albuquerque, na zona norte do Rio. A informação é da Defensoria Pública do Estado do Rio de Janeiro, que propôs o Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) assinado no dia 7 de janeiro, pela empresa e pelo governo do estado, e definiu o acordo de indenizações às vítimas e atendimento aos atingidos no acidente.
Nas estações haverá um banner, indicando o local de atendimento para a retirada de dois bilhetes, de ida e volta. De acordo com a defensoria, o diretor Jurídico da SuperVia, Marcelo Franco, estimou que a entrega de todos os tíquetes será feita em duas horas.
No dia de assinatura do TAC, o presidente da concessionária, Carlos José Cunha, estimou que o gasto da companhia com a distribuição dos bilhetes será R$ 330 mil. Ele explicou que o total de passagens é equivalente ao número de usuários no ramal de Japeri no dia do acidente.
03/03/2015 21h05 Rio de Janeiro Akemi Nitahara - Repórter da Agência Brasil Edição: Stênio Ribeiro
Exposição Conexões de Olhares, no Museu da República, apresenta imagens feitas por crianças e adolescentes de comunidades pacificadas Tomaz Silva/Agência Brasil
A percepção sobre as comunidades pacificadas, do ponto de vista das crianças e adolescentes que vivem nesses locais, é a proposta da exposição Conexões de Olhares, aberta na tarde de hoje (3) no Museu da República, no Catete, zona sul do Rio de Janeiro. São 200 fotos tiradas por 178 jovens de 10 a 16 anos, que participaram do programa Sesi Cidadania em 12 comunidades que receberam unidades de Polícia Pacificadora (UPP).
As oficinas, ministradas em 2013 pela fotojornalista japonesa Hikaru Nagatake, fizeram parte do projeto global Wonder Eyes, que já passou por 13 locais, incluindo acampamentos de refugiados. A mostra tem o objetivo de desenvolver a criatividade de crianças e adolescentes por meio da fotografia. Também curadora da exposição, que já passou por Tóquio, Hikaru explica que a finalidade é também mostrar a realidade brasileira para o povo japonês, como parte do intercâmbio cultural entre as duas cidades olímpicas, já que Tóquio vai receber os Jogos de 2020.
“Dizem que o Brasil é um país do século 21, do futuro, e também já está realizando esse futuro. O Brasil tem muita diversidade e, como um país do futuro, tem muita coisa para apresentar, ensinar e estimular para outros povos, de outros países, inclusive crianças do Japão. Estou muito impressionada pelas fotografias das crianças, eu aprendi muitas coisas com as fotografias e sobre a relação delas com a comunidade”, disse Hikaru.
Foram reunidas imagens de doze comunidades: Santa Marta, Tabajaras, Mangueira, São Carlos, Formiga, Andaraí, Complexo do Alemão, Providência, Cidade de Deus, Macacos, Morro Azul e Borel. De acordo com a superintendente do Sistema da Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro (Firjan), Maria Lúcia Telles, a ideia é mostrar aos visitantes a realidade vivida por grande parte da população carioca, mas desconhecida do brasileiro em geral.
“O Consulado do Japão nos procurou, ela [Hikaru] já rodou mais de 12 países com esse projeto, e nós entendemos que levar essas oficinas para as comunidades pacificadas é trazer para as crianças uma nova oportunidade de ter acesso a máquinas fotográficas, de desenvolver a criatividade e se sentir parte de um mundo desconhecido para elas: o da fotografia. Por outro lado, mostrar a comunidade com o olhar das crianças, e o resultado é fantástico, a sensibilidade que têm sendo crianças e vivendo dentro das comunidades. [Elas] veem ângulos que nós não vemos”, ressaltou Maria Lúcia.
Uma das fotógrafas é Kássia do Nascimento Amaral, de 13 anos, que retratou a mina onde a comunidade busca água, quando falta nos canos. Moradora no morro Santa Marta, ela diz que já gostava de fotografar, mas só tinha experiência com o celular. “Me sinto importante [de participar da exposição] com essa foto 'maneira' que eu quis mostrar. Foi ela [a professora] que escolheu, mas eu fotografei também o Cristo Redentor, o Pão de Açúcar, a Lagoa. Com o curso, eu aprendi a tirar foto e guardar para mim, e outras coisas também.”
Morador do Andaraí, Gabriel Elias Zotti de Souza, 14 anos, diz que a primeira vez que fotografou foi na oficina. A foto escolhida mostra um muro em que se lê “aqui não é lixeira, seu porco”. De acordo com Gabriel, as pessoas costumam jogar lixo ali, por preguiça de ir até o local apropriado. Para ele, o curso mudou sua visão sobre a comunidade onde vive. “Mudou bastante para mim, porque depois que eu comecei a ver esse lado [da fotografia], percebi que não é a gente que escolhe as coisas, são as coisas que atraem a gente para mostrar como realmente são.”
A exposição Conexões de Olhares pode ser vista até o dia 3 de maio. São 168 fotos reunidas em painéis na entrada do museu e 55 grandes painéis espalhados por todo o jardim do Palácio do Catete. Nos domingos de março, o público também pode aproveitar apresentações musicais, sempre às 10h. Abre a temporada, no dia 8, o artista Dudu Oliveira, depois virão os shows de Jaime Alem e Dino Rangel, e o violonista Turíbio Santos fecha a agenda, no dia 29 de março.
O juiz federal Sérgio Moro, responsável pelas investigações da
Operação Lava Jato, pediu hoje (3) ajuda da Coreia do Sul, Holanda, das
Ilhas Cayman e do Japão para ouvir cinco testemunhas indicadas pela
defesa de Fernando Soares, conhecido como Fernando Baiano.
Juiz Sérgio Moro quer que os depoimentos sigam a convenção da ONU contra a corrupçãoAkemi Nitahara/Agência Brasil
O
magistrado quer que as autoridades promovam a audição e tomada de
depoimento das testemunhas, de acordo com convenção contra a corrupção
adotada pela Organização das Nações Unidas (ONU). Tanto o juiz quanto a
defesa de Baiano querem ouvir as testemunhas.
Preso nas
investigações da Operação Lava Jato, Baiano é acusado de cobrar propina
para intermediar a compra de equipamentos para a Petrobras. Seus
advogados negam as acusações de negócios ilícitos com a estatal.
Baiano
também nega ter relações com o PMDB. Em depoimento de delação premiada,
o doleiro Alberto Youssef disse que o investigado arrecadava propina
para o PMDB, por meio de contratos com a Petrobras.
Na Coreia do
Sul, foram relacionados Harris Lee e J. W. Kin, respectivamente
vice-presidente e presidente da Samsung Heavy Industries Co Ltd. Na
Holanda, Claudio Castejon, diretor da Petrobras International Braspetro
BV. As Ilhas Cayman incluiram Yasuyuki Fujitani, diretor da Japan
Drilling Investment, enquanto o Japão quer ouvir Ishiro Inagaki, cuja
empresa não foi informada.
Cristina Indio do Brasil - Repórter da Agência Brasil Edição: Stênio Ribeiro
O Ministério Público do Trabalho no Rio de Janeiro (MPT/RJ) quer garantir o pagamento dos salários atrasados de 2,5 mil empregados do Complexo Petroquímico do Rio de Janeiro (Comperj), em Itaboraí. Por isso, entrou na Justiça com nova ação civil pública para resguardar o direito aos salários.
Desde novembro que os trabalhadores não recebem os vencimentos. O pagamento do dois últimos meses do ano passado dos empregados ainda na ativa e as verbas rescisórias de 500 demitidos foram requeridos em ação civil anterior. Como resultado da primeira ação, a Justiça Trabalhista condenou a Alumini Engenharia, empresa responsável pelas contratações, a pagar R$ 14 milhões como garantia do direito dos empregados. O pagamento ainda depende da análise de recursos.
De acordo com os cálculos do MPT/RJ, somente os salários de janeiro somam R$ 7,8 milhões. Na próxima segunda-feira (9) haverá audiência, às 10h, na Vara Trabalhista de Itaboraí, com integrantes da Alumini Engenharia, da Petrobras – que contratou a empresa – e do sindicato dos trabalhadores, em mais uma tentativa de resolver o problema dos atrasos salariais e da falta de cumprimento de diretos trabalhistas.
Na nova ação, o procurador do Trabalho do município de Niterói Maurício Guimarães de Carvalho determina que, em caso de descumprimento, a multa seja R$ 10 mil por dia de atraso no depósito. O procurador pediu também que a Petrobras seja declarada responsável subsidiária, o que a obriga a honrar os pagamentos caso a Alumini descumpra a decisão judicial. Para o procurador, há sinais claros de que a empresa não tem condição de pagar os salários dos próximos meses.
O MPT/RJ requer ainda que a empresa e a estatal sejam condenadas a pagar R$ 5 mil em danos morais a cada um dos trabalhadores com contrato em vigor, incluindo danos morais coletivos no valor de R$ 300 mil a serem convertidos a projetos sociais ou ao Fundo de Amparo ao Trabalhador (FAT). O procurador pretende ainda expedir um ofício à 2ª Vara de Falências e Recuperações Judiciais de São Paulo, responsável pelo pedido de recuperação judicial da Alumini, para que parte do valor bloqueado seja destinada ao pagamento dos funcionários do Comperj. Ele acredita que desta forma será mais rápido o acerto da dívida com os empregados.
Ontem (2), a empresa Hal Engenharia, contratada pela Alumini para a prestação de serviços no Comperj, durante audiência mediada pelo MPT/RJ fez acordo para pagar verbas rescisórias a 26 empregados demitidos, no total de R$ 180 mil. Segundo o órgão, o valor será pago em seis parcelas com vencimento até o quinto dia útil de cada mês e inclui a segunda parcela do 13º salário a 14 empregados. A empresa também aceitou pagar R$ 500 de indenização a cada um dos trabalhadores dispensados.
A presidente Dilma Rousseff participou neste domingo, 1º de março, da entrega do túnel Rio450, no Rio de Janeiro. A obra integra a Via Binário do Porto – importante complexo de ruas na região portuária do Rio – ao Centro da capital fluminense. A inauguração faz parte das comemorações pelo aniversário de 450 anos da cidade.
No discurso, a presidente enalteceu a recuperação da Zona Portuária da cidade: "Aqui nós estamos agora recuperando a orla, recuperando para a população e para a cidade do Rio de Janeiro a orla histórica dessa cidade, que foi o centro histórico do Rio de Janeiro. Ao fazer isso eu acredito que a prefeitura do Rio de Janeiro se coloca na vanguarda, na vanguarda internacional das transformações urbanas. Tenho certeza que, apesar de várias cidades terem recuperado as suas zonas portuárias, nenhuma delas recuperaram ao mesmo tempo o centro histórico de um país, o coração onde esse país começou a viver e a bater".
Com 1.480 metros de extensão e capacidade de fluxo para 55 mil veículos por dia, o Rio450 será o primeiro túnel subterrâneo do Rio de Janeiro e contará com um sistema de monitoramento de alto padrão tecnológico. Ao todo, são 32 câmeras de segurança, além de equipes posicionadas estrategicamente na entrada e na saída da via para monitorar o tráfego durante 24 horas e garantir o atendimento rápido das ocorrências.
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Para o secretário municipal de Transportes, Rafael Picciani, o Túnel Rio 450 facilitará muito a saída do Centro do Rio. “Como este é um túnel com três faixas de rolamento, sem paradas, o acesso será muito mais rápido. Na Avenida Rodrigues Alves havia sinais de trânsito. Agora, o carioca tem uma saída muito mais rápida para a região portuária”, avalia. A construção do túnel Rio450 foi viabilizada através de PPP entre a prefeitura do Rio e a concessionária Porto Novo, contratada para a construção e manutenção da via até 2026.
Túnel Rio450 será o primeiro túnel subterrâneo do Rio de Janeiro. A via tem capacidade de fluxo para 55 mil carros por dia
Revitalização da área central
A construção do túnel Rio450 faz parte de projeto de revitalização da região central do Rio, que pretende preservar o patrimônio histórico da cidade e instituir um novo conceito de mobilidade urbana para a capital.
Segundo o presidente da Companhia de Desenvolvimento Urbano da Região do Porto do Rio de Janeiro, Alberto Gomes Silva, a ideia é priorizar as pessoas em relação aos automóveis. “O novo sistema viário que está sendo implantado muda a lógica do transporte e do trânsito no Rio de Janeiro colocando, sobretudo nessa região, as pessoas em primeiro lugar em relação aos carros. Literalmente, os carros vão passar por baixo para liberar espaço para as pessoas na superfície. Isso permite a recuperação de grande parte do patrimônio histórico da região”, destaca.
De acordo com Alberto Silva, o objetivo de todo o projeto de revitalização é estimular mais pessoas a morar no Centro do Rio. “O objetivo maior da operação urbana é produzir um centro da cidade mais povoado, já que é o local que concentra o maior número de empregos. Um maior o número de pessoas que moram próximas do trabalho, exigem menos deslocamentos pela cidade, o que tem impacto direto no trânsito, na segurança pública e resulta em qualidade de vida para as pessoas”, afirma.
Mobilidade urbana
O sistema de transporte que está sendo implantado na área central do Rio de Janeiro adota o conceito de transporte integrado, com espaços para pedestres, ciclovias e vias planejadas. Como enfatiza Alberto Silva, o princípio adotado é priorizar o transporte público em relação ao transporte individual.
Para isso, até 2016, o veículo leve sobre trilhos (VLT) e o veículo leve sobre pneus (BRT) já estarão operando, o que permitirá a racionalização dos sistemas de ônibus do Rio de Janeiro, aumentando a capacidade de transporte e, ao mesmo tempo, reduzindo a quantidade de ônibus em circulação. “Mais gente usando o transporte público possui impactos não só no trânsito da cidade, mas também na qualidade do serviço prestado para a população e para preservação do meio ambiente”, ressalta.
A previsão é que quando o novo sistema de mobilidade estiver completamente implantado, 1,5 milhão de pessoas sejam beneficiadas e 1/3 da frota atual de ônibus da cidade seja retirada das ruas.
A previsão é que até 2016 o VLT já esteja em operação na região central do Rio
Olimpíadas
De acordo com Alberto Silva, grande parte desse novo sistema de urbanização e mobilidade estará pronto para os Jogos Olímpicos de 2016. No entanto, ele ressalta que toda essa transformação não foi pensada só para as Olimpíadas, mas para a cidade do Rio de Janeiro. “O melhor disso tudo é que quando as visitas forem embora, o carioca vai continuar tendo uma cidade muito melhor para viver”, argumenta.
Aniversário
Neste domingo (1º), a presidente Dilma também participou das comemorações pelos 450 anos da cidade do Rio de Janeiro. A cerimônia oficial de aniversário aconteceu no Palácio da Cidade. Na ocasião, o prefeito Eduardo Paes entregou a medalha inédita, 1º de Março, a personalidades que fazem parte da história do Rio. A presidente Dilma foi uma das agraciadas.
Além disso, também foram anunciados os cariocas que terão seus nomes inscritos no Livro de Heróis e Heroínasda cidade. Na cerimônia, a prefeitura também apresentou a medalha comemorativa dos 450 anos do Rio – feita em parceria com a Casa da Moeda – e o Selo Comemorativo pelo aniversário, produzido pelos Correios.
Paes abre festejos em cerimônia cívico-militar
O prefeito Eduardo Paes abriu os festejos do aniversário da cidade em uma cerimônia cívico-militar na Fortaleza de São João, na Urca, onde a cidade foi fundada. Durante a solenidade, 20 veleiros, que partiram de Bertioga e refizeram o mesmo percurso feito por Estácio de Sá em 1565, chegarão ao Forte.
Prefeito do Rio recebe a chave simbólica da cidade de um ator caracterizado de Estácio de Sá
Um ator caracterizado como Estácio de Sá entregou a chave simbólica da cidade ao prefeito. Tiros de canhões foram dados durante a cerimônia na Fortaleza de São João. Paes disse que é uma honra participar dos 450 anos de uma cidade que tem muita história e que faz parte da identidade brasileira.
O segundo evento oficial do dia foi uma missa celebrada pelo cardeal arcebispo Dom Orani Tempesta no Santuário Arquidiocesano de São Sebastião, na Tijuca, Zona Norte da cidade. Durante a missa, o prefeito Eduardo Paes entregou a chave da cidade a Dom Orani, num gesto que representa o estado laico e o religioso trabalhando para o bem.
O cardeal abençoou três relíquias da cidade: a imagem de São Sebastião, os restos mortais de Estácio de Sá e a pedra fundamental da fundação.
Tradição em toda as comemorações, o bolo de aniversário servido na Rua da Carioca, no Centro, teve este ano 450 metros, um para cada ano da cidade. Nos aniversários anteriores, o bolo media cerca de dez metros. Componentes da escola de samba Estácio de Sá, a mais antiga da cidade, se apresentaram no evento.
Este ano, o bolo de aniversário distribuído na Rua da Carioca tinha 450 metros
Enquanto isso, na orla da zona sul, a Marinha do Brasil fazia demonstração naval, com a participação de sete navios, que partiram das proximidades do Forte São João, e seguiram até o Leblon.
Cardeal arcebispo dom Orani Tempesta recebe a chave da cidade durante missa no Santuário de São Sebastião, na Tijuca
Em seguida, Eduardo Paes inaugurou a terceira sede administrativa da prefeitura do Rio – a primeira na zona norte, no bairro de Oswaldo Cruz. A nova sede ocupa um casarão de 1920, totalmente restaurado e onde o prefeito terá um gabinete, a exemplo do que ocorre nas outras duas sedes: o Palácio da Cidade, em Botafogo; e o Centro Administrativo São Sebastião, na Cidade Nova.Na tarde deste domingo, a Baía de Guanabara e a orla oceânica abrigaram a competição a vela Grand Regatta Rio 450, nas proximidades da Escola Naval, na Ilha de Villegaignon. Os barcos seguiram até a ilha Laje da Cagarra, em frente a Ipanema, de onde retornaram ao ponto inicial, percorrendo cerca de 20 milhas náuticas.
Rio de Janeiro, a órfã criada por padrastos dos mais terríveis em alguns momentos, a paixão que faz sofrer, a ilha da fantasia dos governantes e da tortura para os moradores, rico culturalmente mas excludente como cidade, a cidade global que agora resgata sua história. O JB consultou alguns dos historiadores que mais conhecem o Rio de Janeiro, para que tentassem definir o caminho percorrido até hoje pela cidade que completa 450 anos neste domingo (27). Eles falam da cidade marginalizada e também da esquecida, no caso, o Rio de Janeiro dos indígenas. Ainda há motivos para comemorar, no entanto.
"Minha irmã acaba de chegar da rua (sete e meia da noite) e me traz a notícia de que um grande prédio em construção no Largo do Rossio acaba de desabar, matando quarenta operários. O antigo prédio era uma arapuca colonial, mas que, apesar da transformação, de ter tido as paredes eventradas, resistia impavidamente. O novo ia ser uma brutalidade americana, de seis andares, dividido em quartos, para ser hotel: Hotel New York (que nome!), um pombal, ou melhor: uma cabeça-de-porco. Somos de uma estupidez formidável. O Rio não precisa de semelhantes edifícios. Eles são desproporcionados com as nossas necessidades e com a população que temos", dizia Lima Barreto em relato de 7 de junho de 1917. O romancista e cronista nasceu na cidade em 1881, onde também morreu, em 1922.
O Rio de Janeiro sempre passou por muitas mudanças polêmicas, como agora. Armelle Enders, professora de história da Universidade de Paris - IV - Sorbonneé, é uma entusiasta pesquisadora da capital fluminense. Ela relança a obra "História do Rio de Janeiro", atualizada, também neste domingo, com algumas páginas a mais e levando em conta o período atual. Para ela, a recuperação do Centro e da zona portuária é uma verdadeira reconquista da história do Rio de Janeiro e do coração da cidade, por resgatar um passado doloroso mas consubstancial, o ponto de chegada de 2 milhões de escravos africanos que transitaram pelos cais, pelo Valongo, e a "pequena Africa" do morro da Conceição, "o Rio de Janeiro da resistência africana". Ela destaca ainda que a queda da perimetral embeleza a Praça XV. Como o Rio sempre foi uma cidade global justamente pelo fato de ser um porto, faz sentido recuperar esta história.
"Tudo isso mostra que a valorização do patrimônio é hoje em dia considerado como moderno, quando, antigamente, a 'modernidade' significava destruir e derrubar o que era considerado como velho, arcaico, atrasado. Quem sabe se o próximo prefeito do Rio de Janeiro não vai cogitar em restaurar o morro do Castelo, sua igreja e seu colégio jesuíta? Essa brincadeira é para dizer que recuperação do patrimônio, como a memória, é seletiva. Existe um Rio de Janeiro fantasma, como, por exemplo, o Rio de Janeiro indígena, que anda muito esquecido", levanta a historiadora.
O arquiteto e professor Nireu Cavalcanti, uma das maiores autoridades na história do Rio de Janeiro, por sua vez, desaprova as alterações atuais. Para ele, as reformas espalhadas por toda a cidade são um absurdo. Um exemplo é que a Perimetral poderia ter sido derrubada apenas quando as obras estivessem prontas, ele sugere. O que falta, indica, assim como em épocas anteriores, é planejamento. "Isso é resultado da falta de planejamento e de respeito ao cidadão, resultado dessa visão 'megalômica'. Nós vivemos nessa ilha da fantasia, você planeja sem prever quais são as consequências da sua obra. É uma ilha da fantasia para o governo, mas para nós é uma ilha da tortura."
Ele lembra ainda que "a cidade cultural" é o caos, destacando o tratamento dado ao acervo histórico do país. "Qual é o plano, o grande projeto cultural, para os nossos museus arquivos e bibliotecas? Isso é o que permite que o arquivo do Itamaraty, por exemplo, esteja fechado há anos."Nós tivemos momentos de padrastos e madrastas dos mais terríveis, pessoas que se aproveitaram da cidade
Cavalcanti não deixa de acreditar, entretanto, na importância de comemorar o aniversário desta cidade, que, aos dois anos, perdeu seu idealizador, Estácio de Sá. Em 1565, com um grupo de índios, ele fundou o Rio de Janeiro. O professor salienta que é obrigação dos cariocas entenderem a história de onde vivem.
"A primeira grande característica do Rio de Janeiro é que ele é uma cidade que nasceu e, quando tinha dois anos, o pai morreu. Estácio de Sá morreu antes de ver concretizado seu sonho de fazer do Rio o grande empório da América, quiçá do mundo. Não tivemos a oportunidade do pai criar essa criança. Nós tivemos momentos de padrastos e madrastas dos mais terríveis, pessoas que aproveitaram para se beneficiarem da cidade."
A segunda característica que o Rio de Janeiro ganhou, aponta Cavalcanti, é o fato de ter sido construído a partir da destruição de duas culturas, a indígena, os que mais perderam com o desenvolvimento do Rio, e a dos escravos africanos.
Ele ressalta ainda que, após a mudança de capital para Brasília, o que foi muito ruim para a cidade, quando ela estava se preparando para efetivamente ter estrutura de cidade-Estado, como a Grécia, veio o golpe militar. "Nós perdemos o sentido de planejamento. Para mim, o último prefeito que planejou foi Pedro Ernesto, [nos anos 1930], foi o primeiro prefeito a subir a favela, de São Carlos, no Estácio, terminou preso. (...) Hoje eu diria que nós chegamos ao ápice do absurdo", diz o professor. De acordo com ele, o pior momento do Rio de Janeiro vem desde os anos 1990, com a perda do planejamento global.
Foi na década de 1990, inclusive, que o Rio de Janeiro ficou marcado mundialmente pela pobreza e a violência. A historiadora Armelle Enders lembra que, na época, não se fazia muita coisa para combater essa imagem. A situação mudou um pouco com a chegada da Copa e da Olimpíada, com ações "cercadas por muita propaganda e comunicação". "No início, parecia dar certo, a violência, pelo menos, nos bairros 'nobres', diminuía. O lado escuro das 'pacificações', todavia, logo apareceu : a 'nova' polícia acabou sendo a mesma de sempre. O tráfico se espalhou para outros lugares e reconquista, aos poucos, seus redutos. Aparentemente, essa política serviu para poupar o cartão postal, mas não resolveu fundamentalmente o problema", acredita Armelle.
Adriana Facina, professora do Programa de Pós-Graduação em Antropologia Social/Museu Nacional/UFRJ, indica que, para falar do Rio de Janeiro, é preciso encarar dois pontos de vista. Culturalmente, as diferenças sociais produzem uma bagagem extremamente rica, significativa. Como cidade, entretanto, o Rio de Janeiro é aquele que exclui, que segrega, que tem um transporte público caro, que maltrata a sua população periférica, marginal. "A contradição entre esses pontos é o que a gente vive no nosso cotidiano."
Pesquisadora da música e lazer popular no Rio de Janeiro, Adriana diz que uma marca muito distintiva da capital fluminense é o fato da periferia estar no centro da cidade, e não apartada geograficamente, muitas estão encravadas nas regiões mais valorizadas. "Essa tentativa de expulsar a pobreza para suas margens nunca deu certo, entre nós. E felizmente, porque eu acho que o que tem de melhor na cultura do Rio de Janeiro vem dessas periferias, que é a música popular, que são as danças, os festejos, os folguedos, aquelas tradições culturais que vieram das áreas rurais, e foram ressignificadas. O que tem de mais criativo, de mais vanguardista, é justamente o que é produzido enquanto arte, enquanto cultura, nessas regiões da cidade."
O funk do Rio de Janeiro, então, fala muito sobre o Rio, e traz um mapa às vezes esquecido. Ele revela a grande desigualdade social, mas também a capacidade criativa dessa população pobre. "É uma coisa impressionante, como que as pessoas vivendo em condições que nem o essencial está garantido como moradia, alimentação correta, saneamento básico, saúde, educação, conseguem, a despeito disso, se divertir, procurar ser feliz, criar, produzir arte. Isso é muito significativo."
Adriana acredita que, politicamente, todas as conquistas do Rio de Janeiro foram arrancadas. Mas podemos comemorar, sim, pelas lutas populares, a criatividade popular daqueles que foram tradicionalmente marginalizados, que sofreram processo de exclusão, não se resignaram a esse papel, e agora também são protagonistas.
O historiador e professor Milton Teixeira lembra que a cidade nasceu no meio de uma guerra, e que essa guerra continua. "Todo o dia nós perdemos ou conquistamos uma parte da nossa cidade, é uma batalha constante. Estácio de Sá deu a vida para que o Rio de Janeiro pudesse sobreviver, e nós estamos aí."
O Rio de Janeiro deixou de ser capital do país há décadas, mas a cidade ainda funciona como uma espécie de centro de debates e cultura para o país. Acadêmicos que acompanham o desenvolvimento econômico da cidade destacam que este, inclusive, trata-se de um problema - maior preocupação com um olhar para o Brasil e o mundo do que para si.
Procissão marítima diante do hospital dos Lázaros
Armélle Enders explica que, desde a Primeira República, São Paulo competiu com o Rio de Janeiro como capital cultural e intelectual do Brasil. São Paulo lucrou, de uma certa forma, na época de Vargas, por não ser capital política e ficar mais distante de um poder federal então muito "intrusivo". As elites paulistas compensaram o declínio político com investimentos na ciência, universidade e cultura. A partir da era Vargas, no entanto, o Rio de Janeiro conseguiu impor sua cultura popular como marca nacional e, nos anos 1960, ganhou a bossa nova como modo carioca e brasileiro de se viver. O Rio, porém, continua sendo a "vitrine" do Brasil, por bem ou mal, no mundo. "É verdade que existe essa tensão entre a vocação nacional e internacional do Rio de Janeiro e seu estatuto de capital estadual."
O mais curioso ao longo desta história, para Enders, é a ladeira da Misericórdia, "alguns metros que não levam para nenhum lugar", pois o morro do Castelo, o sítio da segunda fundação da cidade, foi derrubado na década de 1920. "A ladeira é o que sobra da rua mais antiga do Rio. E não leva a nada".
Para Milton Teixeira, o Rio de Janeiro se tornou o que Estácio de Sá previu, empório das riquezas do mundo, mas também uma cidade linda, maravilhosa, que encanta a nossa alma, "uma mulher que nos faz sofrer, mas continuamos apaixonados".
"(...) Sou homem da cidade, nasci, criei-me e eduquei-me no Rio de Janeiro; e, nele, em que se encontra gente de todo o Brasil, vale a pena fazer um trabalho destes, em que se mostre que a nossa cidade não é só a capital política do país, mas também a espiritual, onde se vêm resumir todas as mágoas, todos os sonhos, todas as dores dos brasileiros, revelado tudo isso na sua arte anônima e popular (...)", dizia Lima Barreto sobre sua motivação para obter narrações e contos nesta cidade.
O Ministro da Defesa, Jaques Wagner, conheceu, no dia 24 de fevereiro, as instalações do Programa de Desenvolvimento de Submarinos (PROSUB), no município de Itaguaí (RJ). Foi realizada uma palestra, ministrada pelo Almirante- de-Esquadra (RM1) Max Roffé Hirschfeld, Coordenador-Geral do Programa de Desenvolvimento de Submarino com Propulsão Nuclear (COGESN), onde apresentou ao Ministro os desafios e objetivos do PROSUB.
Em seguida, o Ministro conheceu as instalações em que serão construídos os submarinos, a começar pela Nuclebrás Equipamentos Pesados (NUCLEP), onde operários trabalham na fabricação das seções dos dois primeiros submarinos convencionais. A comitiva seguiu, ainda, para a Unidade de Fabricação de Estruturas Metálicas (UFEM), na qual já começa a tomar forma o Submarino "Riachuelo" (S-40), o primeiro a ser construído no complexo. As seções, que estão nesta etapa, já recebem os componentes internos e assim que finalizado o processo seguirão para o Prédio Principal do Estaleiro de Construção, onde serão unidas e o submarino finalizado.
O Ministro Jaques Wagner visualizou, também, como ficará todo o complexo em uma maquete 3D. Além da UFEM e do prédio principal do Estaleiro de Construção, já concluídos, serão erguidos o Estaleiro de Manutenção, a Base Naval e um Complexo Radiológico. Neste primeiro momento, serão construídos quatro submarinos convencionais e um com Propulsão Nuclear, com previsão de entrega ao setor operativo entre 2017 e 2025, respectivamente.
“É um orgulho como brasileiro, e como Ministro da Defesa, visitar toda esta instalação, que aponta o futuro do Brasil, seja no domínio da tecnologia do projeto de produção de submarinos, seja naquilo que será embarcado em um dos submarinos, que é a propulsão nuclear”, ressaltou o Ministro ao final da visita.
Integraram a comitiva a Secretária Geral do Ministério da Defesa, Eva Chiavon, e o Chefe do Estado-Maior Conjunto das Forças Armadas, General-de-Exército José Carlos De Nardi, que estavam acompanhados pelo Comandante da Marinha, Almirante-de-Esquadra Eduardo Bacellar Leal Ferreira, Diretor-Geral do Material da Marinha, Almirante-de-Esquadra Luiz Guilherme Sá de Gusmão, e demais autoridades da Força Naval.
Vitor Abdala - Repórter da Agência Brasil Edição: José Romildo
Caminhão carregado de óleo diesel tombou na Rodovia Washington Luís (BR-040), na subida da serra de Petrópolis, no Rio de Janeiro, por volta das 4h40 de hoje (26). Segundo a concessionária Concer, que administra a via, pelo menos 70 mil litros do combustível vazaram na rodovia.
O motorista ficou ferido e foi encaminhado ao Hospital Adão Pereira Nunes (Saracuruna), em Duque de Caxias. A rodovia está interditada e, portanto, nenhum veículo está autorizado a subir em direção ao município da região serrana fluminense, a partir do quilômetro 96.
Equipes da Concer estão no local para tentar limpar o óleo e desobstruir a pista. Ainda não informação sobre possíveis danos ambientais causados pelo vazamento de óleo.
A organização não governamental (ONG) Observatório Sírio dos Direitos Humanos (OSDH) informou hoje (26) que o grupo extremista Estado Islâmico sequestrou 200 cristãos assírios, na Síria, nos últimos três dias.
"Pelo menos 200 assírios foram sequestrados em 11 aldeias pelo grupo nos últimos três dias", na província de Hassaké (Nordeste), que faz fronteira com a Turquia e o Iraque, indicou a ONG, com sede em Londres. Na terça-feira (24), a organização anunciou o sequestro de 90 assírios.
O diretor da Rede Assíria dos Direitos Humanos, Usama Edward, com sede na Suécia, disse nessa quarta-feira (25) que cerca de mil famílias (aproximadamente 5 mil pessoas) tinham abandonado as suas casas no Nordeste sírio desde segunda-feira para se refugiar em localidades de Hassaké e Qamichli.
Edward observou que entre 70 e 100 cristãos assírios, "a maioria mulheres, crianças e idosos", foram sequestrados. Segundo a OSDH, estão sendo mantidas negociações, por meio de mediadores de tribos árabes e um responsável da comunidade assíria, para conseguir a libertação dos reféns.
De acordo com a ONG, o Estado Islâmico controla agora dez aldeias cristãs da região de Tall Tamer, que estão sendo abandonadas em massa pelos moradores.
Cerca de 30 mil assírios, uma das mais antigas comunidades cristãs, viviam na Síria, sobretudo na zona de Hassaké, antes do início da guerra civil em 15 de março de 2011.
O
ministro dos Negócios Estrangeiros da Rússia, Sergueï Lavrov, afirmou
hoje (26) que as ameaças de novas sanções dos Estados Unidos e da União
Europeia a Moscou mostram a “relutância” em respeitar os acordos de paz
para a Ucrânia.
“Por trás desses apelos esconde-se a má vontade
desses protagonistas, os Estados Unidos e a União Europeia, com vistas
ao cumprimento do que foi acordado em Minsk, na Bielorrússia, em 12 de
fevereiro”, disse Lavrov, referindo-se ao cessar-fogo no Leste da
Ucrânia negociado com a participação da França, Alemanha e Rússia.
O
chefe da diplomacia russa comentou as declarações do secretário de
Estado norte-americano, John Kerry, e do presidente do Conselho Europeu,
o polaco Donald Tusk, que defenderam novas sanções contra a Rússia pela
sua postura na crise ucraniana.
Jéssica Gonçalves - Repórter da Radioagência NacionalEdição: Graça Adjuto
Programa é destinado a jovens e adultos que não tiveram acesso ou não concluíram os estudos Divulgação/Agência Brasil
Raimunda
Oliveira nasceu em uma família pobre no interior do Maranhão. Começou a
trabalhar ainda criança e precisou trocar os livros e cadernos pela
enxada. Junto com oito irmãos, ajudava o pai a capinar, colher arroz e
quebrar coco. Depois de alguns anos ela veio morar em Brasília para
tentar uma vida melhor. Aqui, se casou e teve dois filhos.
Hoje, com 34 anos de idade, Raimunda, que trabalha como doméstica,
decidiu aprender a ler e escrever. “Mudou muita coisa, porque a gente já
lê um bilhete, a gente vai a um lugar e sabe ler a placa de um ônibus.
Eu dependia muito dos outros, falava: moço esse ônibus vai para onde? Aí
eu ia ao hospital: como é esse nome? Agora não, eu mesma leio, só às
vezes eu não entendo, aí pergunto”, disse ela.
Assim como
Raimunda, milhares de moradores do Distrito Federal decidiram estudar,
mesmo depois de ter ultrapassado a idade escolar. São os alunos da
Educação de Jovens e Adultos (EJA), que têm mais de 15 anos de idade e
ingressaram no ensino fundamental, ou aqueles que têm mais de 18 e
entraram no ensino médio. Segundo a Secretaria de Educação do DF, em
2015 serão cerca de 55 mil estudantes nessa modalidade.
Olga
Setúbal deu aula para adultos em uma escola de Santa Maria e disse que o
método de alfabetização utilizado é diferente daquele para crianças.
“Como no meu caso eram pessoas que não sabiam ler e escrever, então a
gente precisava de uma motivação diferente, precisava trabalhar a
realidade, os meios de transporte, a vida cotidiana deles e o trabalho.”
O
programa é destinado a jovens e adultos que não tiveram acesso ou não
concluíram os estudos. A maioria deles trabalha durante o dia, por isso,
as aulas geralmente são à noite. Além do cansaço, eles precisam superar
barreiras como a distância entre a casa e a escola e o medo da
violência. E foi justamente por causa do grande número de assaltos que
os 500 alunos da EJA do Centro Educacional São Francisco, em São
Sebastião, foram transferidos para outro colégio. A diretora, Leísa
Sasso, disse que os alunos se sentiam muito inseguros. “São ruelas muito
estreitas que favorecem a criminalidade. A gente ouviu muitos relatos
de estudantes contando que foram roubados celulares, pertences,
bicicletas a caminho da escola” afirmou.
A Secretaria de Educação
do DF reconhece que a violência é um grande motivo para a evasão
escolar. Segundo a diretora do São Francisco, as turmas começavam com 60
alunos e terminavam com menos de dez. De acordo com o coordenador de
Educação de Jovens e Adultos, Claudio Amorim, este ano o DF vai aderir
ao Pacto pela Segurança, uma parceria com a Secretaria de Segurança
Pública e o governo federal. “A intenção é criar projetos setoriais
entre as secretarias para evitar esse processo de evasão por meio da
violência. Mas, sim, essa é uma realidade em alguns locais,
principalmente em algumas regiões mais longínquas, na zona rural. A meta
é conseguir reverter a situação”, ressaltou.
A pessoa que tem
interesse em se inscrever na Educação de Jovens e Adultos do DF deve
ligar para o telefone 156. O estudante pode escolher duas escolas para
concorrer a uma vaga. Ele precisa informar o nome completo, endereço e
CEP. Depois, é só conferir se foi selecionado no site da Secretaria de Educação e ir à escola fazer a matrícula.
É
possível ainda estudar a distância. O conteúdo é ministrado pela
internet, em um ambiente virtual desenvolvido pelo Ministério da
Educação. A matrícula é feita pessoalmente na secretaria do Centro de
Educação de Jovens e Adultos (Cesas), que fica na Asa Sul, área central
da capital.
A Universidade Católica de Brasília também tem um
projeto social para jovens e adultos, o Alfabetização Cidadã. Lá, muitos
professores trabalham de forma voluntária para atender a alunos com
mais de 18 anos que vivem em situação de vulnerabilidade social e têm
renda mensal até R$ 400,00.
A estudante Márcia Garcia é
voluntária no programa e disse que a experiência trouxe muitos
benefícios para a formação profissional. “Me mostrou o lado sensível que
a gente tem que ter com essas pessoas. É um cidadão que, infelizmente,
não consegue exercer plenamente a cidadania pela condição de não leitor,
ou pela oportunidade que não teve há muito tempo ou que teve de ser
abandonada por outras necessidades que eram prioridade no passado”,
explicou a jovem.
O projeto atende na própria universidade e em
regiões administrativas como Areal, Samambaia sul e norte, Riacho Fundo
2, Varjão, Recanto das Emas e Brazlândia. Para se inscrever basta ir ao
Campus 1 da Católica, que fica em Taguatinga.
Jéssica Gonçalves - Repórter da Radioagência NacionalEdição: Graça Adjuto
Horário no Centro de Ensino 7 de Brazlândia (DF) era integral até o ano passado, mas o sistema parou de funcionar por falta de infraestruturaDivulgação Agência Brasil
Uma
quadra de esportes com cobertura, mas sem piso. No parquinho, o balanço
só tem as traves. A gangorra está quebrada e o escorregador,
enferrujado. Em volta, o mato está alto. As poucas salas de aula são
pequenas e mal ventiladas. Algumas têm até buracos no chão. São cinco
salas e dois banheiros para 94 alunos. Essa é a Escola Classe Incra 7,
em Brazlândia, unidade rural que fica a cerca de 35 quilômetros do Plano
Piloto. O ensino era integral até o ano passado, mas o sistema parou de
funcionar por falta de infraestrutura.
Segundo a diretora,
Cristiane Milani, a unidade não está na lista das que vão receber uma
reforma este ano. “A gente saiu da educação integral de dez horas, que é
um ganho pedagógico maravilhoso, porque a estrutura física nos limitou.
Ninguém soube explicar o motivo de não termos sido contemplados, nem a
própria regional de ensino. Temos uma sala com um buraco de 30
centímetros de comprimento, já com determinada profundidade, então a
gente não consegue entender o porquê de nossa escola não ter sido
atendida”, lamentou.
Lucas Braga (6 anos) é neto da aposentada
Lurdes Braga e estuda na Escola Classe Incra 7. A avó conta que admira o
trabalho dos professores, mas reconhece que o local precisa de uma
série de reparos. “Eles separam um dia no mês para a família, eu achei
isso muito bom, entrosa as crianças. Mas eu acho que poderia fazer mais
concreto, para as crianças não ficarem pisando na terra, e melhorar a
pintura, que está muito feia”, observou.
Um relatório do Tribunal
de Contas da União (TCU) divulgado no fim do ano passado apresenta o
diagnóstico da educação no Distrito Federal. O estudo, que avaliou em
2014 as instalações físicas das escolas públicas e os problemas
relacionados à manutenção e reforma, mostra que 44% das escolas precisam
de pequenos reparos, 31% estão em condições ruins e 6% estão em
péssimas condições, a maioria delas no campo.
Na Escola Classe
Incra 7 os utensílios da cozinha são guardados no chão, embaixo da pia,
porque não há armários. Além disso, as crianças são obrigadas a comer o
mesmo tipo de alimento por vários dias, porque a comida que chega não é
diversificada.
O aluno Lucas disse que, às vezes, enjoa da
merenda. “Eu não gosto muito, queria que tivesse mais macarrão e
salsicha”, comentou o menino.
Atualmente, a escola tem cinco
professores, mas precisa de mais quatro. Segundo o diretor de imprensa
do Sindicato dos Professores do DF, Samuel Fernandes, a carência de
profissionais em toda a rede pública de ensino é muito maior do que os
números apresentados pelo governo. “Hoje, a Secretaria de Educação alega
que há um déficit de cerca de 3.500 professores, mas a carência de
efetivos e temporários na rede é bem maior. Falta uma movimentação do
governo para contratar”.
O Distrito Federal tem, atualmente, 75
escolas rurais, 12 só em Brazlândia. A principal característica das
escolas no campo é que elas são pequenas, com poucos professores. Em
muitas delas, o mesmo profissional exerce atividades de diretor e dá
aulas para diferentes séries.
Segundo o GDF, 3.500 professores
foram contratados temporariamente na rede pública em janeiro. A
estimativa é que sejam necessários mais 3 mil ao longo do ano para
suprir as vagas de futuras licenças.